terça-feira, 2 de novembro de 2010

Relatório do sétimo dia

Quarta-feira             06/10/2010                  7ª aula                        5° ano
                             
         
          Há 27 alunos na sala, organizados como de costume, enfileirados. A disciplina a ser trabalhada é matemática. A professora disse que iria passar uns exercícios de fixação. O conteúdo é sobre frações. O primeiro exercício é para que os alunos completem o que se pede -  os alunos deveriam preencher os espaços, ver em quantas partes a fração estava dividida, quantas partes  estavam pintadas e como representá-las. Exemplo:

1-   Complete:


                 4 partes iguais
                 ----- partes coloridas
               Fração --------

O segundo exercício era para os alunos ligarem a fração à forma como se lê:
2 – Ligue certo:
3/10                                                                um quatorze avos
2/100                                                             doze décimos
1/14                                                               onze milésimos
12/10                                                             três décimos
11/1000                                                         dois centésimos
O terceiro exercício era resolução de problemas, conforme descrito abaixo.
3 – Resolva os problemas:
a)      José comprou seu computador. Pagou em 6 parcelas de R$ 197,00 cada. Quanto custou o computador?

b)     Moisés ganhou 2642 bolas de gude, perdeu a metade dessa quantidade para Jorge e Jorge quer ganhar três vezes a mais a quantia de gudes que Moisés ganhou.Com quantas bolas de gude ele ficará?

c)      Júlia e Alice conseguiram colecionar 15376 figuras e querem dividir com 4 colegas. Com quantas figuras cada uma ficará? 
                            Após aproximadamente meia hora, a professora levantou-se e circulou entre os alunos para verificar os cadernos, a fim de ver se os alunos haviam feito ou não os exercícios. Após a verificação, foi ao quadro perguntando primeiro o que significava o desenho – alguns alunos responderam: fração. Então a professora perguntava quantas partes eram iguais, quantas estavam pintadas, como se lia e escrevia a fração. Quando a professora iniciou a explicação alguns alunos ainda estavam copiando os exercícios, outros ainda estavam tentando resolver, porém, a professora prosseguiu na correção, colocando as respostas no quadro, daí, os alunos que ainda não haviam feito, copiaram as respostas sem fazer nenhuma reflexão sobre os exercícios.
                            Na resolução do problema “b”, a professora pergunta: “Quantas contas faremos aqui?” Os alunos responderam “duas”. A professora pergunta: É junto ou separado? “Separado”, respondem.
                            Após ter dado esta explicação, a professora esperou por um tempo para que os alunos fizessem as atividades. Durante este período, entrou na sala a O.P. e parabenizou os alunos pelos trabalhos que haviam realizado sobre a violência infantil. A professora ressaltou a importância de realizarem os trabalhos, dizendo que seriam levados para uma exposição na Secretaria Municipal de Educação de Belford Roxo.
                            Depois de aproximadamente quinze minutos, a professora foi ao quadro, orientando os alunos para que fizessem as contas de dividir no modo indireto, a fim de não errarem na resolução. Ás 13 horas e 12 minutos a professora terminou a correção dos exercícios no quadro. A maior dificuldade dos alunos foi na organização das contas, pois, não sabem onde colocar os números que estão sendo divididos, e na interpretação dos problemas,  por que boa parte deles ainda não sabem sequer a tabuada.
                            Conforme orientava alguns alunos, percebi que muitos deles tinham dificuldades em solucionar os problemas por que não entendiam como funciona a tabuada. Uma das alunas me disse, “minha mãe fala pra mim estudar tabuada, mas eu não gosto, não consigo”. Tentei esclarecê-la que ela não precisa decorar, e sem compreender como se faz, por exemplo, a multiplicação de um número. Então eu disse: - Se você quiser descobrir quanto é 3 x 7, por exemplo, é só você somar o 7 três vezes, aí, ficará mais fácil chegar ao resultado ao invés de ficar tentando adivinhar.
                            Pude perceber na fala dessa aluna, que os exercícios apresentados pela professora, estavam sendo passados de maneira mecanizada, os alunos não estavam refletindo sobre as questões, estavam simplesmente tentando cumprir as exigências da disciplina.  Sobre essa questão, (CARRAHER e SCHILIEMANN,1995) irão nos dizer que torna-se necessário uma mudança na maneira de ensinar. Não é que os saberes oferecidos pela escola sejam inconsistentes, mas é preciso que se alie neste processo o conhecimento prévio do aluno à sistematização do ensino escolar, a fim de que os instrumentos utilizados pela escola não se tornem abstratos ao entendimento dos alunos.
                            Passado este momento, os alunos se retiraram às  13 horas e 15 minutos para o recreio -  hoje o recreio atrasou, e  15 minutos depois retornaram. Quando retornaram, a professora tomou o nome dos alunos que não fizeram uma pesquisa que ela havia solicitado sobre a saúde, perguntei aos alunos que trabalho seria e eles disseram que era uma entrevista que deveriam fazer com algum parente sobre a saúde, se haviam contraído doenças, quais doenças, etc.
                            Após este momento, a professora entregou a cada aluno um pedaço de papel quadriculado, para que eles criassem figuras, desenhassem objetos, enfim, usassem a criatividade. Os alunos gostaram da atividade, alguns desenharam casas, blusas, carros, figuras geométricas, enfim, ficando livres para desenharem o que quisessem. Este momento seguiu-se até o horário da saída, às 14 horas e 40 minutos.

Referência Bibliográfica:
CARRAHER,T.,CARRAHER,D. e SCHLIEMANN,A. Cultura aritmética e modelos matemáticos. In:____. Na vida dez, na escola zero. São Paulo: Cortez, 1995. Cap.8 p.143-182.

Relatório do sexto dia

Quinta-feira    30/09/2010      6ª aula             5° ano
            Há 28 alunos na sala. A disciplina a ser trabalhada é História. Porém, antes de iniciar a matéria, a professora verificou se os alunos que não haviam realizado o trabalho sobre a violência infantil, que fora realizado em aula dia 23 de setembro, trouxeram o trabalho sobre as placas de trânsito, em comemoração à Semana do Trânsito. O trabalho deveria ser realizado no caderno, e os alunos deviam pesquisar o significado das placas que haviam sido distribuídas na folhinha pela professora. Alguns alunos não fizeram o trabalho por que disseram não ter conseguido encontrar material para fazer a pesquisa.
            A professora tomou o nome dos alunos que não fizeram o trabalho, colocou as respostas no quadro para que os alunos corrigissem e àqueles que não fizeram, pudessem copiar. Porém, não discutiu em nada com os alunos sobre o assunto, apenas colocou as respostas no quadro e passou para a matéria a ser trabalhada.
            Para iniciar o conteúdo de história, a professora pediu que os alunos se organizassem em grupos de cinco integrantes, ( por que boa parte da turma não possui o livro didático) fizessem a leitura no livro referente ao capítulo que tratava sobre O Rio de Janeiro após a fundação da cidade, e em seguida, cada integrante deveria elaborar uma pergunta com a respectiva resposta.
            A atividade começou ao meio dia, e a professora disse que às 12:50 minutos iria corrigir. Ao tocar o sinal do recreio ao meio dia e meia, os alunos se retiraram e voltaram à sala 12: 45 minutos e deram continuidade ao exercício proposto. Durante a elaboração das questões, os alunos tiveram muitas dificuldades por que não conseguiam ler o texto completo, mas liam apenas trechos a fim de encontrarem perguntas e respostas.
Enquanto tentavam elaborar as questões, fiquei circulando entre os grupos verificando como estavam realizando a tarefa, a professora estava sentada à mesa, anotando algumas coisas que eu não sei o que é, pois, não me aproximo, evitando constrangê-la. Enquanto circulava entre os alunos, alguns me chamavam e perguntavam se estava certo o que haviam formulado. Percebi que muitas perguntas eram feitas de maneira descontextualizada, logo, a pergunta ficava sem sentido, então, orientei aos alunos para que antes de formularem as perguntas, procurassem ler o texto a fim de compreendê-lo e só assim, elaborassem as perguntas. Alguns alunos quando conseguiam formular a pergunta, iam até a professora, mostrava a questão, mas alguns colegas já haviam feito a mesma pergunta, então, eles tinham que voltar e pensar em outra pergunta.
Notei que boa parte dos alunos procurou elaborar pergunta com resposta curta, geralmente referente a datas. O tempo previsto pela professora para iniciar a correção dos exercícios ultrapassou uns vinte minutos. Quando começou a correção, a professora disse que aproveitaria a leitura do texto para fazer o teste de leitura, então, pediu a um aluno que iniciasse a leitura e disse que os demais ficassem atentos e acompanhassem, pois, seriam escolhidos aleatoriamente. Quando percebia que algum aluno estava desatento, pedia que o mesmo continuasse a fim de surpreendê-lo. Alguns alunos conseguiram ler desembaraçadamente, outros, com dificuldades, com voz embargada e baixa, mal dava para ouvi-los.
Durante a leitura do texto, a professora não fez nenhum comentário nem explicação de fato algum. Quando terminaram a leitura, pediu que entregassem as questões, mandou que retornassem aos seus respectivos lugares e distribuiu a capa da prova para que pintassem. Este momento se estendeu até o horário da saída.

Relatório do quinto dia

Quinta-feira              23/09/2010                 5° dia              5° Ano
               
Hoje a disciplina a ser trabalhada é Geografia. Há 26 alunos na sala e a turma está organizada em dupla, pois, alguns alunos não possuem livros, e para que não seja necessário passar as atividades no caderno, a professora disse que fizessem assim.
O texto trabalhado pelos alunos tem como título “A desigualdade social do Rio de Janeiro” e as perguntas referentes ao texto foram as seguintes:
1)      Quais são os direitos do artigo 6° da Constituição?
2)      Quais são as necessidades vitais básicas do ser humano enumeradas no artigo 7°?
3)      O que é a Constituição?
4)       O que é exclusão social?
5)       O que é Estatuto da Criança e do Adolescente?
6)      Você acha que é possível aprender sem freqüentar uma escola?
7)       Por que as crianças abandonam a escola?
Os alunos deviam ler o texto e responder as questões no caderno. Fiquei esperando mais ou menos meia hora para circular na sala e verificar como estavam respondendo as questões, a professora estava corrigindo alguns trabalhos que ela havia passado em dias distintos dos dias do meu estágio.
            Quando circulei entre os alunos, percebi que estavam ansiosos, querendo achar as respostas para as perguntas, mas não tinham paciência em ler, tentando “adivinhar”. Tentei conversar com eles argumentando que, embora ler pareça uma coisa chata, é muito importante, e quando fazemos com atenção, torna-se uma fonte de prazer. Disse também que se eles conseguissem ler ao invés de caçar as respostas, ganhariam mais tempo e seria mais eficiente.
            Alguns alunos quando conseguiam encontrar a resposta, me perguntavam se a resposta estava correta, outros preferiam perguntar à professora. Depois de aproximadamente uma hora e quarenta minutos, a professora disse que iria iniciar a correção, e chamou uma aluna pelo nome para que respondesse a primeira questão. A aluna deu a resposta incompleta oralmente, então, a professora pediu que outra aluna respondesse. A correção prosseguiu da mesma forma, quando estava na 4ª questão tocou o sinal para o recreio. Quando voltaram do recreio, a professora prosseguiu na correção dos exercícios, sempre escalando um aluno para responder. Após os alunos escolhidos terem respondido as questões, a professora mandou que esses mesmos alunos colocassem as respostas correspondentes às perguntas que haviam respondido no quadro, para que os que ainda não tivessem feito poderem copiar.  
            A questão de número 6 era pessoal, então, a professora escolheu alguns alunos para que lessem suas respostas. Segue abaixo o depoimento de alguns deles:
Quem não estuda não aprende nada”
“Não, por que na escola a gente aprende a ler e escrever e a ser alguém na vida”
“Sim, por que podem aprender com outras pessoas”   
Após ouvir o depoimento de alguns alunos, elogiou as respostas e chamou de um em um aluno para que corrigisse os cadernos. Porém, o que pude observar na prática da professora, é que sua metodologia não proporciona nenhuma problematização das questões. Em momento algum houve discussão do texto, os alunos não são estimulados a refletir sobre os assuntos abordados, principalmente a temática que foi trabalhada, seria uma excelente fonte de discussão e reflexão crítica. Segundo Freire, “O diálogo começa na busca do conteúdo programático”, logo, um professor comprometido com a educação irá refletir sobre sua prática antes de realizá-la. Continuando com o pensamento de Freire, ele nos dirá:
“Daí que, para esta concepção como prática da liberdade, a sua dialogicidade comece, não quando o educador educando se encontra com os educandos-educadores em situação pedagógica, mas antes, quando aquele se pergunta em torno do que vai dialogar com estes” (1987p.47). 
Diálogo é uma coisa que praticamente não acontece naquele espaço, nem mesmos os alunos conversam entre si, pois, a professora os adverte, ameaçando-os de acrescentar mais exercícios no quadro, caso fiquem conversando. O que acaba se tornando uma contradição, pois, se o professor passa exercícios para que o aluno aprenda e ao mesmo tempo, pune os alunos passando exercícios, o que pode ficar no pensamento dos alunos é que estudar é de fato uma punição e não um ato importante e gratificante.
Bem, voltando à descrição da aula - a professora dividiu a turma em grupos, deixando que eles se organizassem a escolha deles, porém, priorizando os que estivessem mais próximos uns dos outros, e depois de haverem feito isto, distribuiu uma cartolina para cada grupo, pediu que fizessem apenas a margem e em seguida, perguntou quantos alunos haviam trazido as imagens que tinha solicitado anteriormente para a confecção dos trabalhos. 
O tema era sobre a violência infantil, porém, alguns alunos disseram não ter trazido as figuras por que os pais não compram jornal. Alguns disseram ter conseguido com o vizinho, e os alunos que não trouxeram as figuras, ficaram encarregados de fazer um trabalho sobre as placas de trânsito.
Enquanto os alunos faziam o trabalho em grupo, os demais que não conseguiram as figuras, deviam fazer uma produção de texto sobre a primavera. A professora disse que seis linhas era o suficiente e que após fazerem o texto, fizessem também um desenho relacionado ao assunto.
Quanto aos alunos que faziam os trabalhos na cartolina, a professora orientou que cada um procurasse fazer alguma coisa, ao invés de deixar o colega fazendo tudo sozinho. Desta forma, observei que um fazia a margem com lápis, outro passava a canetinha, outro escrevia, outros recortavam as figuras, outro colava e assim sucessivamente. Percebi também que dentre os alunos, um preferiu desenhar, o que fez muito bem, retratando a violência de um adulto contra uma criança.  Foi se aproximando a hora da saída, então, a professora mandou que guardassem o material, porém, os trabalhos já estavam quase terminados.

Referência Bibliográfica:
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido, 17ª.ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987 – p.47. 

Relatório do quarto dia

Hoje é prova de matemática, há 28 alunos na sala, organizados como de costume, ou seja, enfileirados. Alguns alunos foram trocados de lugar e o procedimento para a distribuição da prova foi o mesmo da prova de Língua Portuguesa, ou seja, a professora leu a prova para os alunos, sem dar maiores explicações, pedindo que prestassem atenção, pois, os conteúdos cobrados já tinham sido reforçados anteriormente.
Os alunos, ao contrário do que eu imaginava, aparentaram mais segurança para realizar a prova de matemática do que a de português, pois, entregaram a prova bem mais rápido, embora alguns alunos tenham ficado até o último instante tentando solucionar as questões.
Alguns alunos, depois de já haver entregue a prova, voltaram à mesa da professora, pedindo para concertar alguma coisa, porém a professora não permitiu por razões óbvias, alegando que não tinha a menor graça eles olharem as questões no caderno e querer consertar depois de haver entregue a prova. 
Quando tocou o sinal para o recreio, por volta das 13:00 hrs, os alunos se retiraram da sala, e quando retornaram, a professora ordenou que se agrupassem em trio a fim de que copiassem os exercícios do livro para que não fosse necessário ter que passar no quadro. Porém, estava muito calor na sala, então, a professora pediu que voltassem aos seus lugares, a fim de evitar a aglomeração e o calor excessivos.
Os exercícios eram de matemática, e o conteúdo era sobre números fracionários. Então, os alunos deviam primeiramente transformar as figuras representadas em frações, e a seguir, deviam escrever como se lêem as frações. Porém, neste dia, a professora estava bastante apreensiva por que recebera a notícia que sua mãe fora internada, e quando foi aproximadamente 14: 00 hrs , retirou-se da sala e quando voltou, a O.P. veio com ela e me perguntou se eu poderia ficar com a turma até o horário da saída que é às 14: 00 hrs e quarenta minutos.
Eu me prontifiquei, porém, a O.P. disse que depois que os alunos tivessem copiado, poderiam fazer os exercícios em casa, e que eu poderia deixá-los ficar no pátio. Quando souberam que poderiam sair da sala, após a professora ter se retirado, os alunos começaram a ficar um tanto efusivos, então, conversei com eles pedindo que cooperassem comigo, para que eu pudesse cooperar também com eles. Foi interessante notar como a ausência da professora despertou até mesmo nos alunos mais “quietinhos” uma euforia que não transparece na frente da professora. Inclusive um aluno que estava de cabeça baixa, queixando-se de dor de cabeça quando a professora ainda estava na sala, pareceu ter ficado são de maneira súbita.
Após terem acabado de copiar, perguntei aos alunos se eles tinham dúvidas para realizarem os exercícios, e alguns deles disseram que sim, então, procurei explicá-los, porém, o tempo era pouco e a ansiedade deles em ir para o pátio era grande, já que a O.P. já havia autorizado que fossem para o pátio depois que copiassem o dever, com exceção do aluno que havia se queixado da dor de cabeça.   
Depois que liberei os alunos, eles ficaram no pátio até o horário da saída, porém, alguns preferiram ficar conversando na sala e brincando no quadro de giz. Passado aproximadamente quinze minutos, tocou o sinal da saída. 

Obs.: Segue abaixo a prova que os alunos realizaram hoje.

Relatório sobre o terceiro dia de estágio supervisionado II na sala de aula

     
            Segunda-feira                       20/09/2010                 3° dia              5° Ano

Hoje é prova de Língua Portuguesa, alguns alunos foram trocados de lugar. Há na sala 28 alunos, sentados enfileirados. A professora esperou os alunos retirarem o estojo da mochila e por volta das onze horas e trinta minutos, aplicou a prova.
Após aplicar a prova, leu para os alunos, pedindo que prestassem atenção, sem dar explicações, apenas expressando os conteúdos contidos na prova. Os alunos levaram em média duas horas para realizarem a prova, alguns acabaram antes, outros ficaram até o último instante tentando responder. 
Durante a realização da prova, aparentaram encontrar dificuldades, pois, alguns alunos olhavam para o lado, ora para cima ou para o chão, como se estivessem tentando encontrar alguma forma de solucionar as questões.
Após o tempo destinado para os alunos realizarem a prova, veio o intervalo. De volta à sala, a professora perguntou quem havia trazido o livro de Português - dos alunos presentes apenas seis disseram possuir o livro e apenas três trouxeram o livro para a escola. Com base nesta informação, a professora resolveu passar os exercícios no quadro para que os alunos pudessem fazer as atividades.
A professora passou um pequeno poema no quadro com o título: “Companheiro fiel” de Ferreira Guillar, que segue descrito abaixo:
Se à mesa me sento a escrever poesia
e da sala me ausento pela fantasia,
Volto à realidade quando, sem querer,
 toco de revés uma coisa macia.
Já sei, não gasto dez: é o gatinho que sem eu saber
 veio de mansinho deitar-se aos meus pés. 
 Em seguida, pediu aos alunos que respondessem as seguintes questões:
a)      Quem é o companheiro fiel?
b)      Você tem um companheiro fiel?
c)      Desenhe seu (a) companheiro(a).
 Após algum tempo, aproximadamente vinte minutos decorridos em relação ao tempo que iniciaram a copiar do quadro, uma aluna informou à professora que já havia terminado a tarefa, então, aproveitei a oportunidade para interagir com a turma e perguntei a aluna se eu poderia dar uma olhada no que ela havia feito.
A aluna respondeu-me positivamente, então me aproximei dela, olhei tudo o que ela havia feito, elogiei o desenho e pedi que me contasse sobre o que ela havia escrito. Eu já tinha percebido que muitas palavras escritas traziam marcas da oralidade, então, procurei ajudá-la sem dar as respostas certas diretamente, mas fazendo-a refletir sobre a escrita. Por exemplo, a aluna disse que “sua prima foi brinca no quintal”, então, falei-lhe que embora a pronúncia seja feita desta maneira, a escrita deve obedecer a um padrão, então perguntei como ela conjugaria o verbo, e ela respondeu: “brincar?” Eu disse que estava correto.
Depois deste momento, outras alunas também solicitaram a minha ajuda, pude então constatar que a maior parte delas havia cometido os mesmos erros, sempre relacionados à oralidade, como verbos conjugados erradamente, confusão no uso do s, ss ou ç, entre dificuldades também na pontuação.
Aproveitei este momento para interagir com o maior número de alunos possível, orientando no que era possível, sempre com intervenções relacionadas à escrita.
            Enquanto me aproximava dos alunos, a professora estava sentada à mesa, fazendo algumas anotações, acredito que se tratava de algum relatório. De repente, a professora cita o nome de quatro alunos, chamando-lhes a atenção, dizendo que deveriam tomar cuidado, pois, estavam com muitas notas vermelhas.
            Esta fala da professora, me fez refletir sobre a perspectiva da classificação do aluno. Acredito que sua fala causou certo constrangimento nos alunos, pois, embora não tenham reclamado nada, é possível que tenham se sentido diminuídos diante da turma, já que a professora os expôs a uma situação no mínimo desagradável.   
            Depois de aproximadamente quarenta minutos, a professora pediu a dois alunos que lessem o poema no quadro - não houve hesitação por parte dos alunos para fazer a leitura. Acreditei que ela aproveitaria o momento para que houvesse alguma socialização da escrita entre os alunos, mas não houve nenhuma interação, a professora os chamou para que levassem o caderno à sua mesa para ela dar o visto. Depois de verificar todos os cadernos, já se aproximava o horário da saída, então, pediu a uma aluna para entregar as carteirinhas, e disse  que guardassem o material.


Obs.: Segue abaixo a prova que os alunos realizaram hoje.









                                                                                                                                                     
      

Relatório sobre o primeiro dia de estágio supervisionado II na sala de aula

Segunda-feira                       13/09/2010                 1° dia              5° Ano
            Hoje, eu deveria ter começado o estágio na turma do 1° ano, porém a professora faltou por motivo de enfermidade. Desta forma, algumas crianças foram dispensadas, outras, por não haver meios de mandá-las de volta para casa, ficaram na escola, aguardando o horário da saída.
            Então, fui orientada pela coordenadora que ficasse em uma das turmas do 5° ano, já que eu havia escolhido estas duas turmas paras realizar o estágio. Ao chegar à sala por volta das 11:20 horas e vinte minutos, fui recebida pela professora que me saudou e me apresentou à turma.  A disciplina a ser trabalhada era Língua Portuguesa e  para introduzir a aula a professora disse “vamos começar a revisão para a prova de Português”.
            Quando ouvi esta frase, imediatamente lembrei-me do P.P.P. da escola cuja  filosofia da mesma dizia acreditar que a avaliação “não é apenas medir os conceitos percebidos pelo aluno para determinados conhecimentos”... Ou seja, o posicionamento da professora ante a turma, pareceu contrariar toda a perspectiva de avaliação que a escola diz acreditar, pois, deu a entender que os conteúdos trabalhados na revisão seriam decisivos para determinar o “sucesso” ou não dos alunos na prova. Tanto que em determinado momento, a professora citou o nome de quatro alunos diante da turma e disse que tomassem cuidado, pois, estavam com muitas notas vermelhas.
            A preocupação da professora com as notas e conteúdos para a prova me deu a impressão de que sua concepção de ensino não se baseia num conceito de “avaliação formativa”, mas sim numa concepção segregadora e classificatória que não considera o processo de ensino aprendizagem, mas se volta apenas para obter um resultado final. Conforme  HOFFMANN, a avaliação mediadora pretende:
                                                   “(...) opor-se ao modelo do “transmitir-verificar-registrar e evoluir no sentido de uma avaliação reflexiva e desafiadora do educador em termos de contribuir, elucidar, favorecer a troca de idéias entre e com seus alunos, num movimento de superação do saber transmitido a uma produção de saber enriquecido” (...) (1998 p.51)
           
            Mesmo quando estão conversando sobre a matéria, a professora coíbe os alunos asperamente, não permitindo a menor socialização. Consigo perceber sobre o que eles falam, pois, fico sentada ao fundo da sala, então, ouço a conversa deles com maior facilidade. Embora tenha tido minhas impressões sobre a professora, vou prosseguir na descrição da turma e da aula, pois, é meu primeiro dia no estágio e pode ser que eu esteja fazendo um julgamento precipitado.
            Havia vinte e seis alunos, sendo nove meninos e dezessete meninas, sentados enfileirados em quatro colunas, num espaço suficiente apenas para o trânsito nos corredores entre uma fileira de cadeira e outra.
 A impressão que tive é que os alunos têm medo da professora, pois, ao menor sinal de conversa são repreendidos com voz firme e imperativa. Por outro lado, a professora consegue manter a ordem na classe, sem ter que ficar gritando o tempo todo com os alunos.
            Os exercícios propostos pela professora foram:
1) Circular o sujeito nas frases
2) Escrever o sujeito e o predicado
3) Transformar frases negativas em positivas
4) Classificar os advérbios das frases
            Os alunos após copiarem, tiveram tempo para responder. Depois, de aproximadamente uma hora e quarenta minutos, a professora chamou de um em um aluno à sua mesa para verificar quem havia realizado a tarefa. Enquanto supervisionava os cadernos, alguns alunos se distraíam com diários, desenhos e coisas semelhantes, a professora então os repreendia, ordenando que guardassem o que estavam vendo, e se sentassem corretamente na cadeira, virados pra frente.
            Depois de haver chamado todos os alunos à sua mesa, fez a correção dos exercícios no quadro de giz, perguntando aos alunos sobre os exercícios e aguardando que respondessem. Uma das alunas respondeu incorretamente, então, a professora repetiu a pergunta em tom de voz cada vez mais alto até que os alunos respondessem de forma adequada. Em seguida, ordenou àquela aluna que havia respondido incorretamente que fosse ao quadro colocar a resposta certa, no exercício relativo aos advérbios. A aluna conseguiu fazer e pode sentar-se.
Após este momento, a professora passou exercícios de conjugação verbal e disse para os alunos que eles deveriam realizar a tarefa com base em uma folha de verbos que ela havia dado para a turma em dias anteriores. Os alunos copiaram o exercício do quadro, começaram a fazer, mas chegou a hora do recreio.
Durante o recreio, a escola oferece almoço aos alunos, mas a maior parte deles prefere ficar conversando ou lanchando com alimentos que eles trazem de casa. Na maioria das vezes eles consomem salgadinhos amarelos industrializados e como bebida, guaraná natural.
 A turma apresenta certa diversidade em relação à faixa etária, com alunos que vão de dez a catorze anos aproximadamente. Porém, embora haja esta oscilação em relação à idade deles, aparentam se relacionar de maneira amistosa.
De volta à sala, tendo o recreio durado em média quinze minutos, os alunos retomaram os exercícios de conjugação verbal. Os alunos que tinham a folha referente aos verbos entregue pela professora anteriormente, aparentavam maior tranqüilidade para realizar o exercício, já os que não possuíam, aparentavam dificuldades em realizar a tarefa. O verbo a ser conjugado era o verbo amar no presente do indicativo, futuro do subjuntivo e no afirmativo imperativo.
A professora deu um espaço de aproximadamente uma hora para que eles realizassem o exercício, depois fez a correção no quadro, sempre fazendo perguntas à turma, e aumentando o tom de voz quando a resposta dada não é o resultado esperado. Quando percebe que um aluno em especial vacilou na resposta, pede para que ele vá ao quadro e coloque a resposta correta. Uma aluna pediu para ir ao quadro, porém a mesma havia dito um tempo antes não estar se sentindo muito bem, a professora então, indagou-a dizendo:
- “Você está agüentando?”
A aluna respondeu meneando a cabeça positivamente, porém, a professora ignorou o pedido da mesma e permitiu que outra pessoa fosse ao quadro colocar a resposta.
Após a correção do exercício, a professora indagou aos alunos acerca de alguns instrumentos que eles precisariam para realizar a atividade de matemática que seria trabalhada no dia seguinte. Os materiais aos quais se referia eram régua e transferidor, porém, grande parte da turma havia dito não possuir, alguns alunos inclusive pareciam desconhecer o instrumento, pois ouvi quando um deles perguntou ao colega que estava ao lado, “transferidor, o que é isso”? Outros diziam que possuíam, mas não sabiam usar, porém, estes comentários eram ditos entre si. A professora então disse que era bom que eles providenciassem os equipamentos, pois, seriam utilizados na prova.
Depois de interrogá-los sobre estas coisas, a professora disse que daria um ditado de texto. Os alunos reagiram negativamente, demonstrando desinteresse em realizar a atividade. Começou então a ditar, porém, já estava próximo o horário da saída, então, ordenou que guardassem o material, mandou que uma aluna entregasse as cartei rinhas e tocou o sinal.


Referência Bibliográfica:
HOFFMANN, Jussara. Avaliação Mediadora: uma prática em construção da pré- escola  À universidade. 14ª ed. Porto Alegre: Mediação, 1998.



Rotina e perfil da turma do 5° ano

            Ao chegar à escola, os alunos vão se aglomerando no pátio e quando o sinal toca às 11 horas, os alunos entram diretamente para a sala. Geralmente a professora já está na sala, então, os cumprimenta, pede algum aluno para recolher as carteirinhas e inicia a aula escrevendo o assunto e os exercícios no quadro. Há 30 alunos matriculados, mas geralmente, o número freqüente gira em torno de 26 alunos. O horário do recreio é por volta das 12 horas e 45 minutos e dura em média 15 minutos e o horário da saída é as 14 horas e 40 minutos.
 A turma apresenta certa variação em relação à idade dos alunos, pois, há os que estão com a idade regular – entre 9 anos até alunos com 14 anos. Em termos de desenvolvimento, a professora disse certa vez em conversa informal comigo, acreditar que “há algumas alunas que considera as melhores da turma, se referindo as três primeiras alunas que se sentam à frente de sua mesa”. O que pude observar é que estas três alunas estão com idade irregular para o 5° ano (duas com doze anos e a outra com catorze). Acredito que essas alunas sejam repetentes, porém, não interroguei a professora sobre isso. Os demais estão praticamente num mesmo ritmo, apresentando não muitas variações entre eles no aprendizado.
            Percebo que há na turma uma aluna que parece ser alvo de preocupação da professora, pois, sempre que a vê conversando, se refere à aluna, chamando-a pelo nome, dizendo que “depois não consegue fazer o dever, por que está de conversa e não presta atenção”. De fato, me parece que a referida aluna, parece distrair-se com muita facilidade, aparentando estar ausente do que se passa na sala, embora seja comunicativa e de semblante feliz.
            Quanto à postura da professora em sala, confesso que me assustei no primeiro dia de estágio, pois, tive a impressão de que a professora era autoritária e sem o menor afeto com a turma, pois, sempre que se referia a um aluno era em tom imperativo, com voz alta e firme, sempre “dando ordens e nunca pedindo”. Porém, para verificar se esta impressão minha era um julgamento precipitado, passei a conversar com alguns alunos durante o recreio, numa conversa informal a fim de verificar se minhas impressões eram também as dos alunos e pude constatar que nenhum deles reclamou da professora.
            Certa vez, me aproximei da professora a fim de perceber melhor sua relação com a turma e a elogiei dizendo que admirava a disciplina que conseguia manter na turma, ela então disse  quando cheguei, a turma não era desse jeito, eram muito indisciplinados e então, tive que me impor para que eles não passassem por cima de mim”. Disse também que não gosta de ficar gritando com a turma o tempo todo, principalmente por que tem muitas moças  e elas não gostam de ser chamadas à atenção. De fato, a professora consegue manter o silêncio na sala, porém, acredito que este silêncio custe muito alto para os alunos, pois, não há espaço na aula para interação, pois, ao menor sinal de conversa, são repreendidos.
            A professora é contratada da escola, começou a lecionar nessa turma em março do corrente ano, antes disso, a turma estava sem professor, e eram as orientadoras que tentavam suprir a demanda.  Quanto à formação da professora, disse ter feito Formação Geral e depois o curso Normal. Segundo a mesma, tentou fazer o curso de pedagogia por duas vezes, mas trancou a faculdade por falta de tempo e oportunidade, mas disse que ainda não desistiu desse objetivo. Garantiu gostar muito do que faz. Em seu relato me disse:
- “Para dar aula, você tem que gostar muito do que faz, se não, você não consegue”.  A professora disse que leciona em um colégio particular  pela manhã, por duas horas para o 1°ano (o colégio é da família) e completa a carga horária à noite, dando aula na EJA.
 Agora, quero apresentar um pedacinho da sala, pois, não foi possível fotografa-la por inteiro, por que os alunos estavam presentes. E não é sempre que estou com a câmera disponível, então aproveitaria para tirar mais fotos em outra ocasião.